Fonte: Ego
Ator que acabou de ser contratado pela Record como colaborador
artístico, revê alguns momentos da vida e carreira em
conversa com o EGO e diz que não voltaria a fazer filme
pornô nem se passasse fome.
Ao contrário do que foi divulgado em uma nota de jornal,
Alexandre Frotabuscar, 44 anos, não virou evangélico,
mas é sim, um novo homem.
O ator acaba de assinar um contrato de três anos com a
Record para ser supervisor do projeto “Bofe de Elite”,
um quadro do “Show do Tom”, e também colaborar na parte
artística da emissora, ao lado de Deto Costa.
A partir dessa guinada, na qual ele finalmente volta a
ser contratado de uma emissora, Alexandre faz um balanço
de sua vida e algumas considerações. Algumas delas ele
contou ao EGO, como por exemplo, nunca mais fazer filme
pornô.
O ator considera que os 12 filmes desse estilo foram o
maior erro de sua vida e um dos fatores que atrasaram
a retomada de sua carreira na televisão. “Este foi o maior
erro da minha vida. Está certo que fiz pela necessidade
do dinheiro. Mas falo com toda a certeza: nunca mais outra
vez. Posso vir a passar fome, mas filme pornô eu não faço
mais”, sentencia ele com seu jeito característico de falar.
Agora, um pouco mais sereno. Fato que, segundo ele, é
fruto de seu amadurecimento.
Você virou evangélico?
Essa notícia não tem fundamento. Divulgaram uma coisa
errônea e atrasada. No início de dezembro de 2007, acompanhei
um amigo a uma série de visitas a locais como a Basílica
de Nossa Senhora Aparecida, Igreja Bola de Neve, e a Igreja
Universal. E agora, dois meses depois, apareceu essa história
de que eu teria virado evangélico. Respeito todas as religiões,
mas não quero que fique parecendo que estou me aproveitando
de uma situação, porque assinei contrato com uma emissora.
Frota no início da carreira
Você pode contar qual foi o objetivo de você ter
acompanhado esse amigo?
Ele é um grande amigo, é policial, e fez umas
promessas. Ele pediu para que eu o acompanhasse. Tinha
curiosidade de conhecer, do mesmo modo que, quando estive
na Bahia, o Caetano Veloso
me
levou ao terreiro da mãe Menininha do Gantois. Fui, mas
sou católico.
Mas você é católico que segue os preceitos
ou só de boca mesmo?
Para falar a verdade, não vou nem à igreja.
A última vez foi agora, em dezembro, com esse meu amigo.
Mas se tivesse virado evangélico, falaria. Não tenho
vergonha nenhuma.
De algum modo, durante essa peregrinação, alguma
coisa chamou sua atenção?
Acho que a coisa que mais me chama atenção, em qualquer
religião, é a fé. Quando as pessoas têm fé e acreditam
seja lá no que for, isso vale a pena.
Já tive altos e baixos na minha carreira. Já conheci
o sucesso, o fracasso e já fui muito criticado. Para
passar por tudo o que já passei, e ainda hoje estar
em pé, só tendo fé e acreditando em alguma coisa. Se
não fosse a minha fé, não estaria aqui.
Em algum momento a fé já te salvou?
Sempre me salvou. Já tive altos e baixos na minha carreira.
Já conheci o sucesso, o fracasso e já fui muito criticado.
Para passar por tudo o que já passei, e ainda hoje estar
em pé, só tendo fé e acreditando em alguma coisa. Se
não fosse a minha fé, não estaria aqui. Arrependo-me
de muitas coisas, de ter sido impulsivo, fui muitas
vezes mais emocional do que racional, e isso gerou uma
série de desconfortos com amigos, familiares e no lado
profissional. Se fosse hoje em dia, agiria de outra
maneira. Mas não posso mudar o passado, só posso pedir
desculpas.
A quem você pediria desculpas?
Já pedi ao Wolf Maia, ao Daniel Filho. Conversei com
a Cláudia Raia e pedi desculpas sobre as coisas que
falei da época em que fomos casados. Coisas que só interessavam
a mim e a ela. Ela, faço questão de frisar, é superbem
casada, tem uma família linda. Criei um desconforto
no casamento dela. Já tive a oportunidade de falar com
ela pessoalmente e pedir desculpas, mas publicamente
essa é a primeira vez que faço isso.
“Que bom que o equilíbrio
está chegando. Nunca é tarde para se equilibrar” - Daniel
Filho
Conseguiu pedir desculpas ao Wolf e ao Daniel?
Não. Até já encontrei com o Wolf, mas em situações que
tinham outras pessoas e a gente não conseguiu conversar.
Até nos falamos porque nossa história é grande, de sucesso.
Tenho muitas saudades dos musicais que fazíamos, mas
não consegui sentar e conversar com ele, não. Para o
Daniel, mandei um e-mail há dois anos e ele me respondeu:
“Que bom que o equilíbrio está chegando. Nunca é tarde
para se equilibrar”. Acredito muito nisso. Todo mundo
já errou, e nunca é tarde para reavaliar quem você é,
e como você quer ser.
O que você acha que tem de bom e que está ajudando
a retomar sua carreira?
Tenho muita disposição e vontade de trabalhar. Sou um
cara que chega muito cedo para trabalhar, e que tem
uma família que depende de mim. Tenho um filho de 8
anos, o Mayã, que mora em Brasília, e minha namorada,
a Natália, que está comigo há um ano e oito meses. Aproveitei
bem os meus vinte e poucos anos, os meus trinta e poucos,
e agora estou numa fase que sempre quis, mas não sabia
que caminhos percorrer para chegar até ela. Encontrei
na Record um respaldo para isso. Fiquei um ano e 10
meses trabalhando com o Márcio Gárcia e, se não fosse
ele, teria ficado esquecido pela mídia. Agora, em janeiro,
veio o contrato de três anos para supervisionar o programa
“Bofe de Elite”, dentro do “Show do Tom”, e também colaborando
com a parte artística, e subordinado ao Deto Costa.
Posso vir a passar fome,
mas filme pornô não faço mais.
Além dos filmes, o ator posou
para revistas gays
Os filmes pornôs foram um erro?
Posso dizer que esse foi o maior erro da minha
vida. Ta certo que eu fiz pela necessidade do dinheiro.
Foi porque eu gostava de sexo? Foi também! Mas foi o
erro da minha vida ter feito isso. Não posso voltar
atrás e mudar o erro. Tá feito. Tá filmado. Mas falo
com toda a certeza: nunca mais outra vez. Posso vir
a passar fome, mas filme pornô eu não faço mais.
Mas foi ruim porque atrasou ou impossibilitou
outras coisas que você podia fazer na carreira?
Não gosto da palavra impossibilitou, mas atrasou
a retomada ou a minha chegada nas coisas que eu estou
vivendo hoje em dia, que é estar de volta a uma emissora
e com contrato fixo.
Você se sente responsabilizado por ter aberto
um filão de celebridades no pornô?
Isso não. Cada um é dono de si e faz o que quer. O que
sinto é que eu criei um desconforto muito grande para
a minha família, amigos, perdi alguns amigos, trabalhos,
deixei de fazer coisas que eu gostava como ir às festas
porque as pessoas me olhavam diferente. A imprensa parece
que esqueceu tudo o que fiz na minha carreira: as 12
novelas, minisséries, especiais, musicais pra Globo,
apresentei o "Rock In Rio II". Também fiz filmes sérios
como “Matou a Família e foi ao Cinema”, do Neville de
Almeida. Mas parece que tudo o eu fiz se apagou completamente
e só ficou o filme pornô. Parece que eu nasci fazendo
filme pornô. Foi uma bandeira muito forte que me atrapalhou
mais que me ajudou.
Frota com Maurício Mattar em
'Roque Santeiro'
Que outros problemas os filmes te causaram?
Tive que deixar de freqüentar alguns lugares
porque minha figura não combinava mais. Posso ser amigo
do presidente da Adidas. Ele me adora, a gente sai,
curte churrasco de fim de semana na casa dele, mas publicamente
ficava muito louco. Em um lançamento dos produtos da
Adidas, por exemplo, não combinava minha imagem ali
porque as pessoas não me associavam mais com a imagem
de esportista, coisa que sempre fui.
Você recebeu proposta financeira para continuar
no ramo do pornô?
Fizeram proposta financeira, quando viram que
eu não ia aceitar, lançaram no mercado uma história
de que eu estava me preparando para abrir minha própria
produtora. Uma bagunça.
Você se surpreendeu com o fato de uma emissora
evangélica ter te aberto as portas?
Não me surpreendeu porque eu já tinha passado
por aqui uma época, e acho que eles entenderam que eu
não roubei, não matei, e que tenho potencial. Que posso
criar, produzir, e que estou com vontade.
É um projeto voltar a fazer novela ou cinema?
Não crio mais expectativa. Não faço mais planos
em relação à teledramaturgia. Se um dia aparecer um
convite que seja bom para mim e para a emissora, não
vou dizer que não farei. É uma coisa que sempre gostei
e gosto, mas não é minha prioridade nesse momento. Minha
prioridade é a área direção e criação de novos projetos
e eventos.