Berlim, 14 mar - O cantor Mick Jagger, líder
da banda Rolling Stones, não consegue viver sem as turnês
e admite
ter
medo do dia em que já não for capaz de subir em um palco,
apesar de ter a intenção de se apresentar ao vivo até
o final. "Um dia terei que acertar minhas contas com o
diabo, como Fausto (personagem do alemão Goethe). Mas
por que deixar de desfrutar do sol de hoje para pensar
nas nuvens de amanhã", questiona Jagger em entrevista
publicada na última edição da versão alemã da revista
"Playboy". O artista acrescenta que, aos 64 anos, sente-se
"enferrujado em cada parada" entre as viagens e afirma
que continua se apresentando ao vivo por causa do público.
Além disso, diz que "o Mick Jagger no palco não é igual
ao real". "Quando era jovem pensava sempre que estava
perdendo tempo se não estivesse fazendo sexo. Com a música
foi parecido. Conforme fui amadurecendo entendi que tudo
tem seu lugar na vida", declarou Jagger. Ele também afirmou
que já não é o cantor rebelde do início de carreira, pois
"quando se está há dez ou 15 anos no negócio, automaticamente
se deixa de ser subversivo. Aqueles que continuam tentando
acabam no nada". Mick Jagger, que recomenda praticar esporte
a partir dos 30 anos "sem abusar, pois cansa", também
desmistifica o uso de drogas, "cujos efeitos criativos
são superestimados" e alerta que "o pior são os problemas
judiciais". "Quando fomos presos em 1967 por porte de
drogas não achamos nada divertido. De repente tivemos
que dedicar nosso tempo à Polícia e não à música", reconhece
o roqueiro. Ele também admite que quando a banda começou
a carreira nunca pensou que duraria tanto: "Geralmente
os artistas fazem sucesso por um ou dois anos e depois
são esquecidos. Porém, tivemos êxito e por isto nunca
houve motivos para deixá-lo". Por fim revela que sua euforia
sobre o palco não é comparável a um orgasmo, mas "é diferente".
"Há momentos de pura felicidade, algo como uma experiência
transcendental. Conversei com cantores de corais de igreja
que reconhecem que há momentos em que não sabem onde estão.
Às vezes acontece o mesmo comigo. É muito forte", encerrou
o cantor.