Os cristãos evangélicos
vêm ganhando o respeito dos membros do crime organizado
nas favelas do Rio de Janeiro e estão entre os poucos que
conseguem enfrentá-los, segundo afirma reportagem publicada
nesta terça-feira pelo diário americano The Christian Science
Monitor.
O jornal relata o trabalho de um grupo de evangélicos da
favela da Mangueira que tenta convencer traficantes de drogas
a deixarem as armas e se converterem.
“O propósito do grupo não é combater o crime, mas converter
o máximo de gente possível. Mais lei e ordem são comumente
um subproduto”, diz a reportagem.
“Nas favelas do Rio, abarrotadas de
homens e mulheres às margens da sociedade, eles encontram
um campo fértil. Para gente de fora, eles são chamados de
‘os evangélicos’, e em sua maior parte as pessoas das favelas
não contestam seu trabalho missionário”, afirma o jornal.
Segundo a reportagem,
por razões “teológicas, culturais e pessoais”, os evangélicos
ganharam o respeito “dos mesmos criminosos que não pensam
muito antes de matar um vizinho de longa data”.
“Então, em uma cidade considerada uma das
mais perigosas do mundo, que registra 6.000 assassinatos
ao ano e onde a polícia e os militares são vistos, na melhor
das hipóteses, com desconfiança, os pentecostais estão entre
os poucos que enfrentam o crime organizado”, diz o jornal.
O Christian Science Monitor comenta que
o Brasil tem mais evangélicos pentecostais do que qualquer
outro país da América Latina, com mais de 10% da população
se identificando como pentecostais no censo populacional
de 2000, quase o dobro do que uma década antes.
Segundo o jornal, uma das razões pelas
quais os evangélicos conseguem se aproximar dos traficantes
de drogas é que “muitos deles já foram eles mesmos criminosos
violentos”.
“Alguns cometeram assassinatos. Seus pastores
cumpriram pena de prisão. E, renascidos, eles agora acreditam
que sua missão é levar a palavra de Deus às mesmas ruas
que antes aterrorizavam”, diz a reportagem.
O jornal diz que, segundo os pesquisadores,
“os membros das gangues poupam os evangélicos porque, embora
não sigam necessariamente nenhuma doutrina religiosa, eles
ainda acreditam em Deus, em sua maioria”.
Uma antropóloga da Universidade do Rio
de Janeiro ouvida pelo jornal comenta que o catolicismo
tradicionalmente reflete a elite política nas favelas e
é visto como tendo feito pouco para combater o crime, enquanto
os evangélicos são vistos pela comunidade como uma entidade
separada e incorruptível.
“Acadêmicos que estudam o fenômeno dizem
que os pentecostais conseguem entrar em áreas onde até mesmo
os pesquisadores do censo não vão, não apenas porque vêm
dos mesmos bairros violentos, mas porque a maioria das igrejas
são entidades independentes e formadas na base, ao contrário
da Igreja Católica, que é gerenciada sob estrita hierarquia
que começa no Vaticano”, afirma o jornal.
Fonte: Correioweb
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