Notícias
cristãs atualizadas |
|
| * Irmão Lázaro
diz o que acha da tietagem à Ana Paula Valadão |
Em entrevista,
irmão Lázaro conta mais sobre sua conversão, seu ministério
e opina sobre a tietagem que ocorre com relação à lider
do Ministério de Louvor Diante do Trono, Ana Paula Valadão
Bessa.
“A música está no meu sangue”
Em entrevista exclusiva ao portal Lagoinha.com, Lázaro
dá mais detalhes de sua conversão e caminhada na fé, família,
do ministério e muito mais. E, claro, da música.
Ele já perdeu a conta que quantos já se converteram a
Cristo desde passou a ministrar País afora junto às multidões.
“São milhares e milhares, e acredito que já está passando
da casa do milhão”, diz, ele, convicto. Com mais de 400
mil álbuns prensados e quase 200 mil DVD´s vendidos (referindo-se
apenas a seu mais recente trabalho, Eu te amo tanto) e
uma agenda apertadíssima dado os inúmeros convites que
recebe para estar ministrando em igrejas, conferências,
congressos, encontros, sem mencionar eventos não necessariamente
cristãos promovidos por prefeituras e empresas em que
se reserva um espaço aos evangélicos, Lázaro - ou Irmão
Lázaro, como queira - tem sido mesmo um fenômeno no cenário
gospel/cristão e até mesmo num meio em que, por muito
tempo, estivera circulando e que conhece tão bem: o da
música secular. Difícil dizer se tudo isso é em razão
de outrora ter sido integrante de uma banda que sempre
fora um estrondo de sucesso (que perdura ainda hoje) ou
mesmo pela própria forma como se convertera – do anonimato
a fama, e de novo no anonimato em razão do ostracismo
e das drogas, de onde imergira agora converso e convicto.
De repente, as duas coisas se somam e justifica o momento
em que ele está vivendo hoje.
Um fato em todo esse contexto merece destaque: se outrora
se sentia incomodado com a fama e o sucesso que antes
tinha talvez por saber que um dia isso poderia acabar
ou porque era um culto ao seu ego, hoje cristão convicto,
Lázaro se vê às voltas com a mesma situação que o atemoriza
e o assombra de certa forma por reconhecer que se chegou
onde chegou e está onde está não é por mérito seu. A situação
a que me refiro é o enorme reconhecimento e carinho que
tem recebido por uma multidão que o estima, e ao mesmo
tempo, lhe constrange e lhe causa certa indignação, haja
vista que muitos desses estanham e até mesmo criticam
sua conversão. São os que ele mesmo chama de “inimigos
do Reino”.
A fim de saber mais detalhadamente como tem sido sua vida
desde que se convertera, como tudo se deu até chegar onde
está hoje, como tem lidado com a fama e o sucesso no meio
evangélico/cristão e até mesmo como tem lidado como esses
“inimigos do Reino”, o Lagoinha.com foi até ele, que pronta
e carinhosamente nos recebeu para a presente entrevista,
em que ele fala também da formação da banda e estruturação
do seu ministério, dos muitos convites que recebe, inclusive
para o exterior, do carinho do público infantil, e muito,
mas muito mais, do que tem vivido atualmente. Incluindo
planos, projetos e, claro, a própria música. Eis então
a entrevista, que embora extensa, é profundamente reveladora.
Retrato e relatos de quem, um dia, estivera morto e revivera.
À semelhança de seu homônimo bíblico, Lázaro, que um dia
renascera das trevas da morte para a vida. Esse é Antônio
Lázaro Silva. Ou como queiram, Irmão Lázaro. Eis então
a entrevista:
Lagoinha.com: Antes de você se converter, você
já vinha ouvindo do Evangelho, como foi quando estava
com Edson Gomes na banda Cão de Raça, com o dono da barraquinha
de cachorro quente em frente a casa onde morava e por
outros que já vinham até você para evangelizá-lo, porém,
sempre se recusando, se esquivando. Quando de fato ouviu
pela primeira vez do evangelho e de Jesus? Quantos anos
tinha?
Irmão Lázaro: Era muito novo, um garoto. Tinha uns 15
anos mais ou menos. Hoje estou com 41 anos. Lá no meu
bairro, um amigo nosso se converteu. Ele foi motivo de
algazarra durante uns dois anos. Eu achava muito engraçado
aquela coisa de acordar domingo para ir pra igreja. O
tempo passou, e aí veio uma igreja no nosso bairro, o
Federação, na Bahia. Depois de alguns meses, essa igreja
acabou. Era a única no nosso bairro. Depois da minha primeira
banda, já com cerca de 20 anos, o líder dessa banda, Ramon
Basel, falou de Jesus para mim. E de lá para cá, vinha
ouvindo falar do evangelho pela TV, pelos canais, em que
as pessoas vinham falando de Cristo o tempo inteiro.
Lagoinha.com: A julgar pelo que diz em seu DVD
do início de sua conversão e do discipulado, as coisas
não foram fáceis pra você. O que mais diria?
Irmão Lázaro: Não foi tranqüilo não. Foi muito difícil
porque eu me alegrei muito quando Jesus me salvou, as
coisas que eu estava sentindo... Eu sempre tive um jeito
assim irreverente de louvar, de dançar, uma coisa muito
particular, porque eu aprendi a louvar a Deus na minha
casa, cantando sozinho. Não foi no altar, no púlpito da
igreja. Sempre falo até que a escola do levita é louvar
a Deus sozinho. Eu tocava em minha casa e quando chegava
na igreja, era essa mesma alegria que era demonstrar para
as pessoas as canções que Deus havia me dado, canções
que eu gostava de ouvir. Mas as pessoas começaram a criticar
a minha maneira de louvar e houve uma época até que me
convidaram para que eu trocasse de igreja, mas eu me recusei
e fiquei na igreja um tempo sem ninguém me cumprimentar
com a paz do Senhor. Rapaz, foi muito difícil. A minha
sorte foi que eu já tinha me apaixonado por Jesus, se
não, não sei como ia ser. A igreja pequena, rapaz, e as
pessoas se revoltam com você simplesmente porque você
gosta de dançar; já pensou?! Mas Deus depois tocou o coração
dos irmãos... Talvez Deus até estava me provando, quem
sabe! Deus tocou o coração dos irmãos e nós voltamos a
ter comunhão. E eu segui minha jornada e estou aqui até
hoje.
Lagoinha.com: Esses momentos de dor, solidão,
isolamento, humilhação e privação por que passou foi por
causa de sua conversão por muitos não terem aceitado,
já que era do já tão famoso Olodum, ou por causa de seu
orgulho e sua soberba que alega ter sido antes em seu
testemunho? Como vê tudo isso hoje?
Irmão Lázaro: É Deus me tratando. Era Deus criando circunstâncias
pra que eu pudesse crescer na presença dele como servo,
pra que eu pudesse ser preparado para que Ele pudesse
estar me usando e me honrando. Porque, na verdade, eu
acredito, rapaz, que até quando somos perseguidos por
um pastor, Deus está no negócio, sabia? Para que a gente
aprenda se humilhar, se submeter. Eu sou ovelha do pastor
Rogério Dantas, da Igreja Batista Lírio dos Vales, em
Salvador, e meu pastor me ensinou uma coisa muito importante:
que Deus nunca usa um justo pra exercer juízo sobre a
vida de um outro justo. Então, todas as vezes que sou
perseguido, eu tenho o desejo de tomar providências, eu
tenho o desejo às vezes da vingança, mas eu me lembro
dessa palavra do meu pastor que Deus é o justo juiz, que
a vingança pertence ao Senhor, e que se eu sou justo,
Deus jamais me usaria para exercer juízo sobre a vida
de um outro justo. Então, eu creio que as pelejas que
eu passo é Deus me tratando para que eu possa aprender
a passar por situações de alta tensão e aprender a tomar
a decisão na hora certa. Outra coisa que aprendi com meu
pastor também foi nunca tomar uma decisão no momento em
que a coisa está muito quente; sempre deixar para o dia
seguinte ou pra quando a cabeça esfriar.
Lagoinha.com: No DVD você fala da música “Eu sou
de Jesus” que cantava (Lázaro, nessa hora, canta: “Pan
pan pan pan pan / Pan pan pan pan pan...”) Você já cantava
antes de se converter? Como era isso?
Irmão Lázaro: Essa versão surgiu depois que me converti,
mas eu já cantava músicas evangélicas antes de me converter.
Eu ouvia muito Álvaro Tito. Eu participei de uma banda
de reggae (lê-se regue) na Bahia chamada Cão de Raça,
que tem como cantor Edson Gomes, e nós ouvíamos muito
falar sobre Álvaro Tito. Eles tinham uma fita e nós ouvíamos
bastante. E tinha uma música dele que dizia assim (Lázaro
entoa a canção): “Disse Jesus, paaaaaaaazzz seja convosco
/ E eis aí a paaaaazzz dos dias meeeeuuuusssss....” Eu
gostava muito dessa canção. Tem uma também que fala assim
(e novamente, Lázaro solta o gogó): “Não consigo viveeeeerrrr
sem teu amoooor”, de Ednaldo Mendes, né... “Não existe
sabor na minha vidaaaaaaa...” Eu cantava muito essa canção
também. Acho que era Deus já me libertando. Dizem que
o louvor liberta, né... (Risos)
Lagoinha.com: Você esteve em Israel antes de sua
conversão. E depois?
Irmão Lázaro: Depois que me converti, não. Depois que
me converti, a nossa peleja aqui no Brasil, a nossa caminhada,
tem sido muito árdua; a gente nunca tem tempo pra nada.
Mas eu tenho pedido a Deus aí que nos dê a oportunidade
de no final do ano, quem sabe, visitar mais uma vez a
Terra Santa. Não por religiosidade, entende, mas até mesmo
para descansar, para poder ir lá, e de uma forma diferente,
poder ver todas aquelas coisas que eu vi no tempo da banda
Olodum. Faço questão de repetir: não por religiosidade,
mas por querer observar e como uma forma diferente, querer
estar num local onde Jesus esteve. É querer ir lá, sentir.
Lagoinha.com: O que poderia dizer da sua família?
Ela já tinha algum conhecimento do Evangelho?
Irmão Lázaro: Toda minha família era do Candomblé. Era
a cultura que a gente abraçava. E depois que me converti,
foi um escândalo dentro da minha casa, tanto pelas questões
religiosas como de sobrevivência. Meus pais se preocuparam.
“Você vai se sobreviver como? Como que vai ser agora sua
vida? A gente cria toda uma expectativa em cima de você,
investe nos estudos, e agora você inventa esse negócio
de igreja. Meus Deus! E aí?” Mas o tempo foi passando
e as pessoas foram percebendo o que Deus estava fazendo
na minha vida. Minha família foi ficando impactada. Hoje
eu louvo a Deus porque estão todos freqüentando a igreja.
Deus já tem dado os primeiros sinais de que, com certeza,
todos estarão se envolvendo na obra dele. Sou grato a
Ele por tudo isso e estou muito feliz por tudo isso.
Lagoinha.com: Quem é sua família?
Irmão Lázaro: Somos eu, meu pai, minha mãe, minhas três
irmãs e minhas duas filhas.
Lagoinha.com: Já que mencionou no seu DVD a reação
do Olodum à sua conversão, poderia dar mais detalhes?
Irmão Lázaro: No começo foi motivo de gracejos, né. Foi
muito engraçado. Havia-se até um comentário que eu havia
encontrado uma maconha que dava vontade de ser crente,
porque eu fumava muito, né. Eles diziam que eu fiquei
tão doido que comecei a ir pra igreja. Eles me perguntavam:
“Rapaz, que maconha é essa que dá vontade de ser crente?”
Depois que eles viram que realmente eu estava convertido,
disposto a ficar realmente nos caminhos do Senhor, eu
fui alvo de críticas. Começaram a me criticar, falaram
que era tudo mentira, que eu estava escondendo na igreja,
essas questões todas que as pessoas que não entendem os
mistérios de Deus na vida de um ser humano falam. Mas
hoje tenho encontrado com os membros da banda, temos evangelizado
e eles estão totalmente impactados com o testemunho que
foi dado nesse DVD, porque eles sabem que é verdade, que
é uma realidade, que é realmente a história de vida que
eu vivi, e todos eles ainda vivem naquele lugar. Alguns
já têm se convertido. Recebi até a notícia de que o percussionista
da banda Babado Novo, o “Macarrão”, se converteu. Temos
notícias de que vários percussionistas da banda Olodum
já têm se entregado ao Senhor. E eu acredito que Deus
vai fazer uma obra gigantesca ainda no nosso Estado (a
Bahia) salvando vidas. Ele levantou esse ministério não
para que eu fosse famoso, mas para que o nome dele fosse
pregado com mais eficiência nesse meio.
Lagoinha.com: Por quanto tempo esteve envolvido
com as drogas?
Irmão Lázaro: Ah, eu experimentei drogas pela primeira
vez por volta dos 16, 18 anos. No começo, ingeria pouca
quantidade, de dois em dois meses, de seis em seis meses.
Comecei com maconha, lança-perfume... A cocaína só veio
depois dos 25 anos mais ou menos, quando experimentava
uma vez por mês. Depois fui experimentando uma vez por
semana, e depois comecei a usar todos os dias, e acabei
no fundo do poço. Viciado mesmo, gastando tudo o que tinha,
foi dos 25 aos 33 anos. Foram oitos anos, todos os dias.
E paulatinamente, usando em poucas quantidades, levei
uma média de vinte anos.
Lagoinha.com: Você ainda mantém contato com o
pastor responsável por sua conversão e com aquela igreja
em que se converteu?
Irmão Lázaro: Aquela congregação acabou. Parece que Deus
colocou aquela igreja ali mesmo só para me converter.
A pessoa que estava à frente daquela obra foi embora para
São Paulo. Eu já o visitei em São Paulo. Eles moram em
Guarulhos. É o pastor Samuel, sua esposa, a irmã e missionária
Lúcia, mãe de Elisama, de Marcela. Aquela era uma congregação
da igreja que estou até hoje. Hoje estou na sede. Eu sou
ovelha do pastor Rogério Dantas, da Igreja Batista Lírio
dos Vales, em Salvador.
Lagoinha.com: Qual tem sido o seu maior desafio
desde que se converteu até agora?
Irmão Lázaro: O maior desafio que enfrentamos hoje, meu
irmão, são os inimigos que se revelam dentro do Reino,
pessoas que nem me conhecem, que nunca me viram, e que
de repente resolvem cooperar para que esse ministério
pare. Pessoas que infelizmente deixam que entrem sentimentos
no coração sem motivos. Como agora, por exemplo, lançaram
uma notícia na internet que eu havia falecido. Uns dizem
que tive um infarto, outros que bati o carro, pessoas
que infelizmente preferem se aliar às trevas que viver
na maravilhosa luz, que é Jesus.
Lagoinha.com: Mas esses comentários a que se referem
têm partido de pessoas ímpias, não evangélicas não é mesmo?
Ou você tem também ouvido comentários nesse tom de pessoas
que se dizem crentes por incompreensão de muitos deles,
que se assustam com uma conversão de impacto como a sua?
Irmão Lázaro: É claro, as pessoas se assustam! Como acontece
também com a música. O nosso Estado é muito discriminado.
Até no nosso próprio meio (cristão) tem sido um desafio.
As pessoas imaginam que a gente grava uma música balançada
com a intenção de fazer crente dançar. Nada disso. Deus
me chamou para evangelizar, e eu agradeço a Ele pelo carinho
que tem colocado no coração dos irmãos pelo nosso trabalho,
pelo trabalho que Deus nos inspira. O nosso maior objetivo
é trazer pessoas para o Reino, ser um canal de Deus para
que as pessoas sintam um desejo de amá-lo, de se aproximar
dele.
Lagoinha.com: O que você tem percebido da reação
do público desde que começou a ministrar país afora e
a lidar com ele?
Irmão Lázaro: Esse DVD (Eu Te Amo Tanto) aconteceu agora,
mas na verdade, estou nove anos na presença do Senhor,
e no começo, Jesus foi aumentando o número de pessoas
no ministério. No início eram poucas trabalhando. Os anos
foram passando, o trabalho foi ficando conhecido, e eu
tenho glorificado a Deus pela oportunidade de ter uma
multidão na minha frente para que eu possa pregar a Palavra.
Eu vim disso; eu vim do Olodum, da fama, e eu tenho pedido
a Deus que me permita lembrar das coisas que eu passei,
para que não me envaideça com essa coisa toda que está
acontecendo no Evangelho. A receptividade das pessoas
tem sido assustadora, no mundo todo. A gente recebe ligações
de várias partes da Europa, da Grécia, dos Estados Unidos,
aqui da América, de vários países. Nós temos agradecido
a Deus e mais uma vez repito, tentando nos policiar para
que a vaidade não venha, que a soberba não entre no nosso
coração. A gente começa a louvar, aquele amor todo, aquela
unção, aquela coisa maravilhosa, e de repente, quando
a gente menos espera, se a gente não toma cuidado, ta
lá a gente achando que a obra é nossa, tá lá o coração
cheio de vaidade, uma soberba terrível. A Bíblia diz que
quem quiser ser o maior, seja o menor. E às vezes Deus
nos levanta e a gente começa querer ser o maior ”mermo”
né,,,, (Risos). Mas a gente é ser humano. Eu falo isso
não em função de exemplos que eu vejo por aí. Falo isso
em relação a mim mesmo; é como me sinto às vezes. E ás
vezes, Satanás tenta me convencer que eu sou alguma coisa.
Lagoinha.com: Você tem tido a oportunidade de
ministrar a conterrâneos e colegas seus na música como
Ivete Sangalo, Daniela Mercury, gente que de repente viu
todo um trâmite, um ciclo seu antes de se converter...
E a gora que você se converteu, você tem tido a oportunidade
de falar mais de perto com eles? Poderia citar algum nome
de gente que, de alguma forma, já ouviu do Evangelho além
da própria banda Olodum?
Irmão Lázaro: Éééée.... Já ministrei para o Olodum como
você mesmo falou, e já tive a oportunidade de ministrar
para o Xand. Já tive a oportunidade de ministrar em uma
igreja em Salvador que tem como pastor Ivo, um grande
amigo, que é a igreja dos artistas. Já tive a oportunidade
de pregar lá algumas vezes, de testemunhar, e pregar a
Palavra. Em relação às pessoas maaaaaiissss... - (Nessa
hora ele boceja, em razão mesmo do cansaço) - ... acentuadas
na mídia como Ivete Sangalo e outros que tem esse talento
tremendo, temos a notícia de que eles assistiram ao nosso
DVD e foram tremendamente impactados. Eu fiquei sabendo
recentemente que até a Sandy e o Junior, o Xitãozinho
e Xororó, se reuniram para assistir ao DVD. Dizem que
foi algo muito tremendo. Então, aonde não tenho ido, Deus
tem chegado com esse DVD, pela fé
que se concretiza na minha vida que não sou eu, mas é
a obra de Deus mesmo.
Lagoinha.com: A própria Bahia então também tem
sido impactada de alguma forma?
Irmão Lázaro: Ahhhh, a Bahia tá, de uma forma tremenda.
A visão que nós temos é assim: a pessoa coloca o DVD no
aparelho, e quando liga a televisão, Deus pula dentro
da casa da pessoa (Lázaro, só risos...). Não é nós, não
é o meu talento. É Deus mesmo que está fazendo.
Lagoinha.com: Como se deu a formação da banda
assim que se converteu? Como se conheceram, como se deram
as coisas?
Irmão Lázaro: Comecei cantando voz e violão nos dois primeiros
anos. Depois veio a gravação do primeiro CD, Deus é fiel
em 2000, e comecei cantando com o play back. E depois
veio o baixista, há cerca de cinco anos com essa idéia
de formar a banda. Mas eu me tornei um pouco resistente
porque eu vim de banda e sei como é. É um negócio meio
complicado, né. Eu fui resistindo, resistindo, até que
comecei a tocar só com esse baixista, e a gente usava
o baterista da igreja local onde éramos convidados. Depois
então veio o baterista e ficamos nós três tocando, e depois
de um tempo o tecladista, e a banda foi crescendo, crescendo,
e estamos aí, né!... Hoje somos cerca de onze pessoas.
Lagoinha.com: O que mais te impressiona desde
que se converteu ao longo de seu ministério?
Irmão Lázaro: O que mais me impressiona é o fato de ainda
estar vivo. Cheguei na igreja vomitando e defecando sangue.
Eu me converti não pra ser crente, mas pra morrer crente,
porque pensei que eu ia morrer “mermo”. Eu senti o cheiro
da morte. Fiquei cara a cara com ela. Senti mesmo quando
Deus falou ao meu coração que Ele estava repreendendo
a morte, que estava me dando mais um tempo de vida nessa
Terra, pra que eu pudesse pregar o Evangelho. Cheguei
na igreja entre a vida e a morte. Então, isso me impressionou
muito. E o que me impressiona também é a atitude das crianças
diante do nosso trabalho. As pessoas às vezes me falam:
“Lázaro, grava um CD infantil”. E eu sempre falo: “Ah,
eu já gravei” – (Risos) – “É desse aí que elas gostam,
né! Eu vou mexer pra quê, se elas gostam assim... Deixa
assim mesmo, né..” Eu acho legal CD infantil. Eu tenho
CD infantil do Diante do Trono, de Aline Barros, e às
vezes, a gente coloca para minhas filhas assistirem. É
um material muito interessante, uma maneira bem eficaz
de as crianças aprenderem a Palavra de Deus. Só que no
nosso trabalho, a crianças já assistem assim mesmo do
jeito que está. Então, por enquanto, eu prefiro não mexer.
Pretendo não caracterizar realmente um trabalho só para
as crianças. A gente vai deixando assim, até que Deus
nos dê direção, como deu direção a esses ministérios que
eu citei.
Lagoinha.com: Você tem idéia de número de conversões
desde que vem ministrando País afora?
Irmão Lázaro: Não tenho a menor idéia, mas posso lhe garantir
que são milhares e milhares. Já temos 400 mil CD´s prensados
e quase 200 mil DVD´s. Meu Deus! Todo mundo que assiste
fala que tem uma pessoa na família se converteu... Eu
acredito que já está passando da casa do milhão.
Lagoinha.com: O que é a música pra você além de
ministério?
Irmão Lázaro: A música está no meu sangue. A música para
mim é minha vida. O maior presente que Deus já me deu
foi colocar isso dentro de mim, o Espírito Santo ministrando
música. Rapaz, é um negócio tão particular a música, uma
coisa que vem tão de dentro. Cada vez que escrevo uma
canção, é como se estivesse dando a luz a um filho. Eu
me lembro muito de Ana quando estou escrevendo porque
Ana ansiava tanto por uma criança, sofria tanto na mão
de Penina, que assim que Deus lhe concedeu a gravidez,
ela pegou seu primogênito e o entregou ao Senhor para
servi-Lo todos os dias. Ela só desmamou Samuel, imagine,
né! É como minhas canções. Eu escrevo as canções e só
tenho a oportunidade mesmo de desmamar e depois coloco
lá aos pés do Senhor e Deus faz o que Ele quer.
Lagoinha.com: E essas canções são fruto de experiências
pessoais, de meditações suas no dia a dia? Elas nascem
em que circunstâncias?
Irmão Lázaro: Um profeta uma vez me falou nos Estados
Unidos e outro na Feira de Santana, pessoas extremamente
distintas, que usaram a mesma frase: que Deus às vezes
me permite tristezas para arrancar de mim inspiração.
Começa a vir uma inquietação, começam a acontecer coisas
diferentes na minha vida. Cada CD é uma fase da minha
vida e eu começo a escrever tantas experiências como a
forma que eu me sinto, né. Como veio a música “Meu Mestre”:
“A Deus eu entreguei / O barco do meu ser / E entrei no
mar afora / Pra longe eu naveguei/ Não vejo o cais, só
Deus e eu agora”. Foi uma fase de muuuuuita insegurança,
de muuuuuuuita tristeza. E às vezes a gente tenta passar
de uma forma poética o que a gente está sentindo, ou em
uma forma direta também. Essas canções então nascem de
momentos de grande aflição. Às vezes é como agora que
estou aqui contigo, e de repente, nasce uma canção, e
aí eu escrevo no papel, gravo, e depois Deus faz o que
Ele acha melhor.
Lagoinha.com: Que imagem você tinha antes dos
crentes e a que você tem hoje?
Irmão Lázaro: (Lázaro só risos) Eu não gostava não. Achava-os
ridículos, estranhos... Achava-os chatos, até quando me
converti. Todas aquelas músicas da harpa... Mas depois,
rapaz, não sei. Acho que Deus foi trabalhando no meu coração.
Eu ainda continuo sendo um admirador de uma boa música.
Mas eu amo os corinhos da harpa. Inclusive, eu faço questão
de ouvir, gosto muito. Eu não sei porque não gostava,
entende?! Era o inimigo mesmo na minha mente, no meu coração,
tentando me afastar das coisas de Deus.
Lagoinha.com: Em seu DVD você diz que muitos no
meio evangélico se deixam levar pelo orgulho e pela soberba
em relação à música e que muitos desses também vêem na
música uma oportunidade para fazer carreira, dinheiro
e sucesso e que você não se convertera e saíra do Olodum
pra fazer na carreira, dinheiro e fama na música evangélica/cristã/gospel.
Essa situação de ver orgulho e soberba entre músicos,
ministros e ministérios cristãos é uma realidade que viu
depois que começou a ministrar e ter contato com essas
pessoas?
Irmão Lázaro: É como eu disse, a gente percebe nas pessoas,
mas quando eu falo, eu gosto muito de falar de mim. Porque
é assim, irmão: o que é que traz orgulho e soberba às
vezes no músico? Uma das coisas que ajuda é o público
e eu tenho falado sobre isso nos nossos eventos. Eu falo
no DVD que cantor evangélico não precisa de segurança,
e infelizmente hoje, quando a gente chega nos eventos,
tem duzentas, trezentas pessoas nos pés das escadas, do
palco, querendo autógrafo, querendo tirar fotos, e às
vezes até toca na gente de uma forma indecente, às vezes
agridem a gente, dá beliscão, dá “zunhada”, e às vezes
eu preciso de auxílio de algumas pessoas para me ajudarem
a chegar no carro. A gente fala de orgulho e soberba que
não devem entrar no coração do homem, mas Deus nos provê,
nos dá uma condição de vida abençoada. Aí você tem a condição
de comprar um carro, a casa, e se você não toma cuidado,
você acaba entrando por essa porta... Eu entendo que uma
pessoa hoje que Deus exalta no Brasil inteiro. É muito
fácil você falar de humildade quando você está lá, na
situação que eu vivia... Já até desmaiei cantando, porque
estava com fome, mas quando você vê dez mil pessoas chamando
seu nome, rapaz, se você não tiver na Rocha mesmo, você
começa a achar que é você. Eu tenho visto aí e às vezes
a gente encontra algumas pessoas e eu falo essas coisas
não como uma crítica, mas por advertência. Eu vejo nos
olhos às vezes das pessoas que Deus tem levantado... Às
vezes nos encontramos com alguns irmãos nos aviões, eles
nem falam comigo... (Um curto, mas significativo silêncio
de Lázaro, como que contendo as emoções). É um orgulho,
uma pose, uma coisa assim terrível... Mas eu entendo isso.
As pessoas não deixam às vezes elas em paz. Você sabe
que eu gostaria hoje? De terminar um evento e poder andar
no meio das pessoas, e não ter de tirar fotos... As fotos
às vezes é legal; a gente quer levar uma recordação, as
pessoas querem levar... Eu não me importo, mas o flash
me dá dor de cabeça... Eu queria que as pessoas não ficassem
gritando quando terminam o show, a ministração, querendo
me pegar, essas coisas todas. Eu detesto essas coisas.
Lagoinha.com: Você vê isso então como tietagem?
Irmão Lázaro: Éehhhhhhhh... E não falo isso porque sou
cristão, porque sou santo... Não tem nada a ver com religião,
com igreja, com o Evangelho. É porque eu acho chato. Você
está num culto cantando, pregando, e quando você desce,
está lá o povo querendo rasgar sua roupa... (Risos). Pelo
amor de Deus... Isso é uma violência, um descontrole emocional.
Eu falo assim que não tem nada a ver com o Evangelho para
que as pessoas entendam que eu não estou querendo dar
uma de super crente. Na verdade, nem sou. Se só existisse
uma pessoa na face da Terra que precisasse da misericórdia
de Deus, essa pessoa seria eu. Como já disse, tenho meus
acertos, meus erros. Mas eu não gosto disso, é chato...
Agora, eu gosto das crianças, de recebê-las, de abraçá-las.
Mas como uma irmã mesmo me dá uma carta dizendo que Deus
falou com ela dizendo que vai casar comigo, eu acho isso
ridículo, uma coisa horrível. É chato isso aí. Eu falo
no meu DVD que Deus está gerando a minha grande vitória.
Tem pessoas que estão mandando cartas dizendo que elas
são minha grande vitória. Não tem nada a ver com mulher
aquilo ali que eu falo. Tem nada a ver. Meu Deus, não
estava nem lembrando que existia mulher no mundo quando
falei aquilo. (Risos). Mas eu entendo. Eu falo no DVD
de uma forma muito segura sobre essa questão de soberba,
vaidade, orgulho, e às vezes, se a gente não tomar cuidado,
as pessoas que nos ouvem nos empurram para isso.
Lagoinha.com: Planos e projetos?
Irmão Lázaro: Se Deus me der vida, o próximo DVD. Quem
sabe, daqui há dois anos.
Lagoinha.com: Algum convite para o exterior?
Irmão Lázaro: Vários, o tempo todo. Só que creio que agora
não é um bom momento. Estou dando um tempo. Quem sabe
o ano que vem!
Lagoinha.com: Tem idéia ou vontade de escrever
algum livro?
Irmão Lázaro: A gente tem sido cobrado em relação a isso,
mas confesso que estou sem forças pra escrever (Risos).
Mas me sentiria mais feliz escrevendo confissões, falando
das minhas fraquezas, das minhas derrotas, para que as
pessoas percebam que por mais que Deus nos dê ânimo, nos
levante, a gente continua ser humano.
Lagoinha.com: Esse é o seu quinto álbum gravado.
Quando foram gravados o anteriores?
Irmão Lázaro: Se não me falho a memória, gravei o primeiro,
Deus é Fiel, em 2000; o segundo, Eu Te Agradeço, em 2001;
o terceiro, Conte a Deus, em 2004; o quarto, Meu Mestre,
em 2006; e esse último, Eu Te Amo Tanto, no ano passado.
Lagoinha.com: Você também é convidado para ministrar
em eventos não evangélicos não é isso?
Irmão Lázaro: Na verdade, quando somos convidados para
esses eventos, costuma ser pelas prefeituras. São eventos
evangélicos, como o Dia do Evangélico, aniversário da
Bíblia, essas coisas que as pessoas fazem nas cidades.
Mas ainda não tivemos a oportunidade de sermos convidados
para um evento secular. Já participamos assim: existe
algumas prefeituras que fazem sua micaretas e se propõe
aos pastores um dia do evento para os evangélicos. E tem
pastor que tem coragem, abraça o projeto e convida a gente.
Agora mesmo em Porto Seguro, no carnaval (desse ano),
colocaram a gente pra tocar no meio do evento. Foi um
negócio tremendo. Foram muitas conversões. Teve um rapaz
que tentou subir no palco pra me agredir. Ele gritava:
“Eu vou lhe matar, eu vou lhe matar”, e que com medo.
Porque a gente sabe que Deus guarda, mas é como diz o
apóstolo Paulo: “Eu fui apedrejado, eu tomei soco, tomei
chicotada...” (Risos). Eu confesso, se aprouve a Deus
que eu passe por isso, tudo bem, mas não é o que eu quero
não. (Risos).
Lagoinha.com: Você tem idéia de público que tem
comparecido às suas ministrações?
Irmão Lázaro: Normalmente se esgota a capacidade do local.
Lagoinha.com: Com certeza, você conhece o Diante
do Trono e Ana Paula Valadão. Que palavrinha diria a ela
e acerca do Ministério?
Irmão Lázaro: Ana Paula Valadão deve ter sofrido muito
essa coisa da tietagem, das pessoas de certa forma até
endeusarem-na. Ela foi usada pra mudar a história da música
evangélica no nosso País. Você vê que a nova fase do evangelho
no Brasil começou com o Diante do Trono. Eu cantava uma
música dessa banda, que diz assim (e Lázaro, de olhos
fechados, ao seu modo, solta a voz): “Ao cheiro das águas
brotaráááááááaa..... Como planta nova floresceraááááaa...”
eu gostava muito dessa canção (do álbum Águas Purificadoras,
gravado em 2000). Eu gostava muito dessa canção. Cantei
também durante muito tempo aquela canção (e de novo, Lázaro
em "a capela"): “...Te agradeçoooooo...” E a coisa foi
mudando, a banda Diante do Trono veio crescendo, crescendo,
crescendo, crescendo, e Deus fez o que tinha que fazer,
e nesse rastro divino, estamos indo todos nós.
Lagoinha.com: Se tivesse a oportunidade de falar
para os do mundo inteiro que ainda não conhecem a Jesus,
o que diria?
Irmão Lázaro: Se aproximem de Deus. “Ah, eu não gosto
de igreja”, talvez digam. Faça então uma aliança com Deus,
e deixa Ele decidir o que é melhor para sua vida.
Lagoinha.com: Uma palavrinha aos baianos crentes
e não crentes e também aos mineiros crentes e não crentes
que têm no axé uma paixão.
Irmão Lázaro: A música está em nós. Vamos usar essa música
para louvar a Deus, para engrandecer o nome do Senhor.
Se aproxime de Deus. Eu normalmente aconselho as pessoas
que se aproximem de Deus, e depois Deus aproxima essas
pessoas da igreja. O primeiro contato é bem melhor que
seja feito com o Senhor dos Exércitos, e depois, Deus
vai nos pegar pelas mãos e nos colocar nos lugar que Ele
quer que venhamos a aprender mais sobre Ele.
Lagoinha.com: Um sonho pessoal e ministerial.
Irmão Lázaro: A nível pessoal, meu sonho é ser tão crente
quanto as pessoas pensam que eu sou. E a nível ministerial,
eu penso em continuar sendo bênção para a vida das pessoas,
e que Jesus guarde o meu coração da soberba.
Lagoinha.com: Uma palavrinha final aos nossos
internautas. Ou de alerta, de fé, de encorajamento, e
também aos músicos e ministros cristãos que também têm
ministrado País a fora.
Irmão Lázaro: Em relação aos que estão louvando a Deus,
os músicos, que Deus guarde o coração deles, que eles
procurem meditar, ter paciência, evitar a vingança; procurar
aprender a perdoar, a pedir a Deus misericórdia. Falo
não como quem já tenha conseguido isso na sua totalidade,
mas além de poder falar das experiências maravilhosas
que eu tenho tido com o perdão, eu também posso falar
das experiências terríveis que eu tenho tido quando eu
não consigo perdoar. Então, que Deus possa guardar o coração
de cada levita, de cada músico. E a minha palavra para
todos os internautas, para todos que estão lendo essa
material, é que vocês me ajudem em oração. Me ajudem,
porque eu careço muito de oração; eu preciso de ajuda
pra continuar nessa peleja. A Bíblia diz que a oração
do justo é eficaz, ela é tremenda, e eu tenho certeza
que se você orar por mim, Deus vai fazer coisas grandes
e maravilhosas. Não por mim, mas através de mim.
::Por Marcelo Ferreira
Jornalista
Fonte: Lagoinha.com
|
|
|