O arcebispo Carlo Caffarra denuncia o silêncio da mídia
sobre as perseguições na Índia.
O cardeal Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha, denunciou
o «ensurdecedor silêncio da mídia, mais preocupada com
os ursos do que com os cristãos», durante a jornada
de jejum e oração convocada pelas dioceses italianas
em solidariedade com os cristãos perseguidos no estado
indiano de Orissa, em 9 de setembro passado.
Em sua homilia na catedral de Bolonha, o cardeal afirmou
que «a grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do
relativismo», e animou os fiéis lá reunidos a «compartilharem,
com o jejum e a oração, a mesma paixão dos que são perseguidos
pelo nome do Senhor».
O purpurado denunciou o «ensurdecedor silêncio dos meios
de comunicação (exceto os católicos) com relação a estas
graves violações dos direitos fundamentais da pessoa,
o direito à vida e o direito à liberdade religiosa».
«Este ‘silêncio ensurdecedor’ nos oferece matéria de
profundas reflexões», comentou o cardeal Caffarra, e
se perguntou depois: «Por que as pessoas se preocupam
mais pelo destino dos ursos polares que pelos homens
e mulheres culpados apenas por terem escolhido a fé
cristã?».
Segundo o arcebispo de Bolonha, este comportamento se
deve a que «o martírio incomoda gravemente quem crê
que no fundo tudo é negociável, quem nega que exista
algo sobre o que não se possa dispor ou que não possa
ser comercializado».
«O mártir exalta a dignidade da pessoa, de modo que
só pode ser censurado por quem pensa que, no final,
o homem é só um fragmento corruptível de um todo impessoal.
A grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do relativismo.»
O purpurado recordou a vida e os ensinamentos de Jesus,
que morreu na cruz para salvar os homens, e explicou
que «nossos irmãos e irmãs estão percorrendo o caminho
do Senhor».
«Eles são o grão de trigo que, caído na terra indiana,
trará muito fruto – prosseguiu. Eles são conscientes
de que é melhor, se essa for a vontade de Deus, sofrer
fazendo o bem antes que fazendo o mal.»
«Estes irmãos e irmãs perseguidos – concluiu – estão
nos oferecendo o maior ensinamento sobre o homem, sobre
sua dignidade, sobre sua altíssima vocação.» Por isso,
«nada nos perturba, mas adorando só Cristo em nosso
coração, estamos sempre dispostos a responder a quem
nos peça razões de nossa esperança».
Zenit