O
silêncio do Pai
Li certa vez em um livro evangélico que o silêncio de
Deus é articulado. O que podemos pensar a respeito de
seu silêncio, quando precisamos ouvir, de alguma maneira,
sua voz? Podemos refletir... Quando o Senhor se cala,
ele está respondendo, ainda que não entendamos exatamente
o que seu silêncio quer dizer. Trata-se de um paradoxo
difícil de vivenciar, porque estamos sempre interessados
em respostas imediatas para nossos problemas. Mas a dualidade
deste silêncio reflete nossas próprias indagações. Desejamos
que o Senhor nos fale não o que tem realmente a responder
e sim o que agrada aos nossos ouvidos e corações, respostas
articuladas pelas nossas próprias opiniões e necessidades.
Tenho um irmão em Cristo que sempre diz: "Bendito o Senhor
que não responde a nossas orações!" Há orações que são
feitas quando não estamos em comunhão com o Pai, que são
simplesmente maquiavélicas, expressam desejos pecaminosos
e enganos de nosso coração. Achamos que o Senhor irá nos
responder... Quanta presunção de achar que Deus é um garçom
que vai servir os manjares do mundo que agradam nossos
olhos desejosos. Chegamos a pensar e orar como garçom:
"Por favor, traga este prato suculento de pecado para
acompanhar o mal disfarçado".
O silêncio de Deus é sobrenatural e divino. Para ouvirmos
as respostas do Senhor, devemos ir além do véu, do nosso
natural e humano. E o nosso calar deve ser sobrenatural,
atencioso, humilhado, aprendiz como o autor de Eclesiastes
cita: "Deus fez tudo formoso em seu tempo. Também pôs
a eternidade no coração dos homens; contudo, não podem
descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o
fim" (Ecl. 3:11). Mas há uma questão intrínseca a nossa
própria natureza que é o tempo natural do homem e o tempo
eterno de Deus. Procuramos respostas em Deus às nossas
indagações e anseios em segundos, minutos, horas, dias
e anos. As respostas do nosso Criador vêm em eternidade,
eternidade, eternidade, eternidade e eternidade.
Não sabemos ou não queremos entender e aceitar as propostas
da eternidade, pois experimentalmente vemos a vida passar
tão rápida que precisamos de respostas, as nossas, não
a de Deus. Por isso, muitos se frustram em sua fé e caminhada,
pois o Caminho é um só, Cristo. Mas a vida nos remete
a encruzilhadas e atalhos, que são nossas respostas. O
Caminho é eterno e os atalhos e encruzilhadas (decisões)
da vida são terrenas e passageiras. São eles enganos de
nosso coração, carente e duro como pedra para a vida eterna
e para o Espírito, preenchido com desejos e macio como
carne para a vida terrena: "Ó profundidade das riquezas,
tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis
são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos"
(Rm.11:3). Por que dele, por ele e para ele são todas
as coisas. Amém!
O Senhor desafia-nos justamente a olhar a terra e a vida
como a águia que voa nas alturas que faz a sua casa no
rochedo. A visão da eternidade é altíssima, a águia tem
liberdade nos céus, sua casa está segura na rocha, em
contraste com ratos que vêem e habitam na terra, em esconderijos
mal-cheirosos; estão sempre escondidos com medo das sombras,
vendo somente o que está a sua frente. Ah, Senhor, quisera
que todos nós tivéssemos visão de águia como Josué e Calebe
antes de entrar na Terra Prometida para, diante de nossos
desafios de fé e desafios existenciais, sermos os únicos
a habitar em Canaã e recebermos a terra que mana leite
e mel, vencermos nossos inimigos e termos Deus como Senhor
de nosso tempo. Então o silêncio do Pai se tornará promessas
cumpridas em nossas vidas, pois recebemos as promessas
do Pai através do silêncio da fé. E o silêncio tomará
forma de resposta e palavras, que vêm da boca de Deus
para nos alimentar. Quando Deus se cala, ele continua
falando conosco, pois o silêncio ensina ao homem a se
humilhar e esperar em Deus.
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o capítulo GRITANDO
AOS CÉUS
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